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Will You Pass Me The Salt?

As an ESL teacher we are constantly asking ourselves the purpose of our job, searching for answers such as ‘why do I teach English’, ‘will my students actually remember to conjugate properly’, ‘are my activities engaging enough’,  etc. We tend to focus on linguistic form, we worry about making our students understand the meaning of certain words, but then we forget to teach them the consequences that some sentences generate. Pragmatics is constantly neglected by most ESL teachers. Leia mais

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O Presente Perfeito para o Tempo Perfeito

Acredito que a grande maioria dos professores de inglês já ouviu os alunos, independente da faixa etária, reclamarem que o tal present perfect é difícil e que não temos esse tempo verbal em português e, por isso, é muito mais complicado de se entender e fazer com que os alunos entendam. Talvez esteja na hora de mudar esse cenário (comentário) e a tecnologia pode ser a ferramenta fundamental para isso. Leia mais

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Precisamos Reavaliar o Ensino de Língua Inglesa

Muitas escolas estão entrando na onda da nova moda educacional: oferecer ensino bilíngue. Primeiro, precisamos deixar bem claro aqui que muitas não são bilíngues de fato, mas oferecem um ensino de língua inglesa com carga horária bem diferenciada, o que já é muito interessante. O que muitas escolas ainda não se deram conta é que o motivo pelo qual elas ensinam uma língua estrangeira é para que os alunos, e não os pais, tenham benefícios e no caso de um idioma, é impactar a comunidade. Leia mais

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A Importância da Capacitação de Professores

Recentemente, eu vi um desabafo num dos grupos que pertenço onde um dos membros, que é professor de inglês, expressa toda sua insatisfação (com razão) com o ensino de língua inglesa nas escolas. Resumindo o que estava escrito no post, ele questiona a postura das escolas que alegam para os pais que oferecem ensino de inglês de qualidade, que são referências no mercado, mas no ranking mundial a gente nunca sai da embaraçosa 78a. posição.

Um dos motivos que perpetua esse desempenho pífio em língua inglesa em nosso país é a constante falta de interesse das escolas (particulares) em capacitar de fato seus professores de línguas. Muitos agora irão esbravejar e dizer “minha escola não faz parte disso! Na minha escola a gente oferece treinamentos aos professores, sim!”. Pois então vamos lá. Geralmente, as escolas particulares oferecem momentos de workshops em janeiro aproveitando que as aulas não reiniciaram e os professores têm maior disponibilidade. Um primeiro problema nesse sistema adotado é que workshops são muito superficiais e acabam não oferecendo momentos de discussão mais profunda sobre como atacar as dificuldades encontradas em sala de aula no processo de aquisição de língua estrangeira ou de como abordar conteúdos linguísticos que favoreçam o processo. Workshops são muito importantes, claro, mas eles são muito mais eficazes quando se tratam de assuntos que os professores já têm domínio para se fazer um ajuste pontual.

Outro obstáculo encontrado no processo de alavancagem do país em performance de inglês é o comportamento de alguns colegas professores. Instituições mundialmente reconhecidas como o Edutopia frequentemente nos relembram da importância do teachers’ development, falando sobre como a qualidade do ensino aumenta em função da participação de professores em cursos de capacitação. Infelizmente, em somente alguns centros (geralmente em São Paulo, capital) que os professores adotaram a consciência de que procurar cursos, compartilhar informações, se capacitar não é demérito. O ensino de línguas também é uma ciência e não podemos mais trabalhar no achismo ou entrar em sala de aulas suportados somente pela experiência de décadas trabalhando com ensino de língua inglesa. Temos a Neurociência muito avançada que nos oferece material  muito rico sobre aprendizado, sobre como um assessment interfere na retenção e no acesso a informação que foi recém ensinada. A Linguística que nos informa como a língua estrangeira se desenvolve, como aspectos cognitivos e sociais trabalham nesse processo além de contribuir com dados sobre variações linguísticas e como levá-las em consideração.

Tecnologia. Um quesito que mudou completamente nos últimos 10 anos e a cada semestre, novas ideias e ferramentas educacionais surgem para que os alunos sejam capazes de realizar um trabalho que antes não conseguiam. Ou seja, usar um PowerPoint, um Prezi não é usar tecnologia de maneira ativa. Portanto, precisamos de cursos que nos mostrem como otimizar a aplicação desses recursos em nossas aulas. A Pedagogia também tem muitos estudos que mostra abordagens que encorajam, por exemplo, a tentativa de comunicação no idioma alvo, que nas aulas de inglês dificilmente acontece de maneira espontânea quando não estão fazendo uma atividade ou sob o olhar dos professores. Além disso, ela conta com pesquisas e profissionais que mostram como o ambiente pode ser um aliado no processo aquisitivo. São alguns exemplos de como o trabalho de professor de língua inglesa não pode mais ser baseado somente em experiências e também precisamos entender que por mais cursos e certificados que a gente obtenha, por melhor e mais famosa que seja a escola em que trabalhamos, a gente nunca sabe de tudo.

Por esse motivo que instituições muito competentes como o Instituto Singularidades, o São Paulo Open Centre e algumas menores como a Teach-in-Education e a Mattiello Consultoria (no interior de SP) têm investido em trazer profissionais da educação, mais precisamente de  ensino de línguas, que enriquecem e qualificam cada vez mais esse trabalho. Nosso trabalho. Afinal, não é possível que alguém se sinta completamente satisfeito com o trabalho desempenhado a ponto de achar que atingiu o topo da carreira profissional que não precisa mais se informar sobre o que acontece dentro da área de atuação. Ainda mais em nossa área que é extremamente dinâmica, envolve pessoas e inúmeros outros fatores complexos. Isso serve também para os professores de cidades menores em que o mercado ainda não exige um coportamento  de busca pela capacitação. É sabido por todos que o momento financeiro dos profissionais como um todo não anda mil maravilhas, mas esse cenário não vai mudar  se a gente depender somente da boa vontade dos empregadores (diretores, mantenedores) de aumentar benefícios e salários ou atribuir mais aulas. Investimento na carreira é fundamental para que nossas aulas sejam melhores e para que a valorização (salarial) aconteça, o que é um mindset muito comum do mundo corporativo, mas que ainda resiste no mundo educacional.

Com relação às escolas públicas, todos sabemos da precariedade no quesito investimento, embora existam alguns programas suportados por algumas secretarias de alguns estados que busca capacitar professores, mas infelizmente o foco, para professores de inglês da rede pública, tem sido a oferta de cursos de inglês para melhoria da língua de alguns professores. Claro que é um grande passo, mas eles precisam de mais. Os professores precisam ter acesso aos cursos que as instituições anteriormente citadas oferecem e caso as secretarias ou diretorias de ensino não tenham orçamento para tal, cabe então aos professores se engajarem por esse desejo de mudança. Os garotos da rede pública de ensino merecem a mesma qualidade de professores que os alunos de escolas particulares e se os professores de inglês tiverem a mesma sede e interesse por capacitações que seus colegas, um grande passo para o aumento da qualidade do ensino de línguas será dado.

Contudo, precisamos mudar nossa maneira de olhar para a capacitação dos professores de língua inglesa. Nós somos os responsáveis direto pela motivação, ou não, dos alunos perante essa matéria e se fizermos a mesma coisa que fazemos agora, por mais que venha dando certo, uma hora vai parar de funcionar e precisamos ter todas as informações possíveis para que saibamos extrair o melhor de nossos alunos. As opções estão aí. E você, vai sair do status quo?

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Fillers, Mas Não É Pra Encher Linguiça

Me lembro de quando era mais novo e os professores de inglês onde estudava constantemente diziam que pessoas que ficam pausando suas falas com “é”, “hum”, “ãm”, etc, tinham a fluência atrapalhada. Algumas décadas se passaram, hoje estou do outro lado do espectro e posso dizer que aqueles professores se esqueceram de estudar um recurso muito interessante da fala. Os chamados fillers.

Fillers são um recurso linguístico que interrompem a fala, mas que geralmente são mal compreendidos ou utilizados em excesso, o que contribui para sua má fama. Porém, o que nunca paramos pra pensar é que esses fillers são características da proficiência de uma língua, isto é, tal qual a ordem sintática, escolha de palavras, sotaques, essa característica também mostra o nível de conhecimento linguístico que uma pessoa tem. Nós também temos fillers na língua portuguesa: “é”, “hum”, prolongamento da última sílaba (3).

(1) Ontem, é… eu fui ao jogo logo depois do almoço.

(2) Quando chegamos na praia, a gente… hum… tirou todas as malas do carro.

(3) O time não jogo:::u… não jogou muito bem.

Notem que em (3) o símbolo utilizado para prolongamento do som usado é o “:” e geralmente usamos esse e outros tipos de fillers para organizarmos nossa fala. Bem utilizado, mostra que o controle sobre aquele idioma é total, que o locutor apresenta ferramentas mais que suficientes para provocar expectativa, para transmitir sua mensagem da melhor maneira, para gerar comoção, humor, etc.

Além de ser parte integrante da fala para gerar as situações acima citadas, fillers também têm um papel importante para que uma conversa tenha continuidade (ou não).

(4) A: I also like:

B: I don’t like [this kind of food!]

A:                     [Italian food.]

A gente pode notar no diálogo de (4) que uma hesitação durante uma conversa pode fazer com que o interlocutor acabe “atravessando” a conversa e inicie sua fala acreditando que seu momento para tal tenha chegado. Isso acontece numa fala natural e, por isso, é importante trabalhar esse tipo de hesitação da fala para que a gente, professor de língua inglesa, ofereça aos alunos o modelo de fala mais natural possível. Ou seja, para que nossa fala não seja abruptamente interrompida quando a gente precisar dar uma organizada na nossa fala (e isso é comum), em vez de pausar a fluência com silêncio preencha essa lacuna com um filler como pode-se notar em (5). Além de ajudar na organização da fala de um jeito natural, eles têm função interessante em nossa pronúncia uma vez que os fillers adicionam uma vogal à palavra, contribuindo para que a curva de entonação se mantenha de acordo com o que a língua inglesa propõe.

(5) Last night was: erm.. different.

Mas como tudo que é em exagero dá problema, o uso desse recurso em excesso pode causar o efeito contrário àquele que geralmente os fillers oferecem. Isso quer dizer que se os inserirmos com uma frequência muito alta, a naturalidade se perde e, consequentemente, a fluência da fala. Isto é, o uso excessivo dessa característica linguística faz com que nossa fala pareça não ter confiabilidade, que a gente não sabe sobre o que estamos falando. Claro que isso é a última coisa que queremos.

Não estou dizendo que hesitar para organizar melhor as ideias é um péssimo negócio, pelo contrário, existem maneiras de se fazer isso sem parecer que está criando fatos ou que não há certeza naquilo que está sendo dito. Mais ainda, esse recurso faz, sim, parte da língua, ou seja não é errado nem podemos julgar a fala da pessoa que usa fillers como sendo ruim ou com falhas. Porém, tão importante quanto saber que é possível usar esse truque linguístico é não exagerar, não passar do tom para que a tão perseguidade naturalidade da fala não se perca.

Teachers Brasileiros e a Dependência de Materiais Didáticos

Faz alguns anos que participo de alguns grupos de redes sociais relacionados a ensino de língua inglesa em que a maioria esmagadora dos membros são professores de inglês. No entanto, ano após ano venho percebendo a crescente dependência dos meus colegas de profissão de materiais didáticos, praticamente caminhando na contramão do ensino em lugares em que o sistema educacional é mais avançado.

É fácil de se compreender esse vício que professores têm com materiais didáticos afinal hoje ele oferecem vários recursos áudio-visuais com animação, personagens, músicas e sons, praticamente tudo que nós professores não tínhamos até, mais ou menos, 10 anos atrás. Ou seja, somente 10 anos se passaram desde que todo esse arsenal educativo começou a ficar à nossa disposição e ainda estamos curtindo essa onda. Só que nesse mesmo período a internet entrou num crescimento contínuo e se tornou um gerador de materiais que parece não ter limite e o melhor de tudo, tudo gratuito. Tudo ficou mais fácil de se encontrar e até mesmo aquele material que antes nos obrigava a ter uma biblioteca muito bem equipada, agora está a um clique de distância.

As ferramentas de pesquisa (Google, Bing, etc), facilitam a busca por materiais. Elas se tornaram as chamadas OER (Open Educational Resources), tanto que muitas delas criaram sub-produtos especialmente voltados para a educação em que materiais educativos e acadêmicos ficaram compliados numa gaveta própria filtrando o universo que seus sites principais disponibilizam. Porém, se pensarmos em materiais deliberadamente desenvolvidos para fins educativos, cairemos no mesmo problema de antes: eles são editados e gerais, isto é, eles são feitos pensando numa turma que seja homogênea e sabemos que isso não acontece nem mesmo nos centros de idiomas. Por isso materiais didáticos estão fora de moda, eles não atingem a totalidade da sua turma e os alunos, obviamente, vão ficar desinteressados. Mesmo assim, dia após dia vejo professores pedindo dicas sobre qual material usar para aulas de conversação, de leitura, de escrita, de gramática, de listening.

Essa dependência, que beira o vício, se deve em função da melhoria e da abundância de materiais didáticos. Agora pergunto a você: e se um dia você fosse proibido de usar qualquer tipo de material didático em sala de aula, você conseguiria desenvolver um lesson plan? Minha primeira impressão é que muitos teriam dificuldades extremas ao realizar sua atividade profissional, dada a quantidade de pessoas que pedem sugestões de materiais nos grupos das redes sociais das quais faço parte. Nós não podemos nos tornar reféns desses materiais porque ninguém conhece os alunos como os próprios professores. Um livro pode muito bem oferecer atividades prontas e dar menos trabalho, pode oferecer textos e áudios prontos e editados, mas talvez não seja a solução para a maioria de seus alunos, isto é, talvez não haja um diálogo com a realidade que eles têm. Isso sem contar que a edição dos materiais, por mais meticulosos que sejam, têm sempre a probabilidade de estar aquém de um conteúdo real o que pode frustar nossos alunos.

Isso quer dizer que os materiais didáticos são ruins de conteúdo? Não necessariamente. Mas pense comigo: se o editor do material está mexendo num texto para um grupo que ele acredita ser Intermediário, esse texto provavelmente não irá oferecer a complexidade real, do mundo real. Então, esses alunos tomam contato com site de notícias em inglês e vão perceber que as aulas de leitura que tiveram não os prepararam para a situação. E quando falamos de textos, qualquer leitura é válida. Um recibo de cartão de crédito, um menu, uma placa com os horários de metrô requerem leitura que podem ser realizadas com alunos iniciantes. É exatamente por esse motivos que professores de inglês de outros países estão abolindo o uso de materiais didáticos e preparando as aulas e as atividades eles mesmo em cima de conteúdos reais como músicas, jornais, talk shows, vídeos. Se os professores de inglês de outros países estão transformando conteúdos reais em materiais para a sala de aula, por que ainda insistimos em usar os famosos materiais didáticos? Se for insegurança para desenvolvimento das lições, há cursos de capacitação para ajudar.

 

Fonte: Kaplan International Colleges

Fonte: Kaplan International Colleges

Portanto, colega professor de inglês, vamos seguir a tendência mundial no ensino de língua estrangeira e explorar nossa função cognitiva para desenvolvermos atividades novas e que dialoguem com os alunos e respeitem suas características e seu histórico. Com as ferramentas de busca, aplicativos e podcasts cada vez mais próximos, essa dependência dos materiais didáticos fica injustificada.

O Idioma Disfarçado de Língua Inglesa

Após um período acumulando trabalho, materiais e mais trabalho, cá estou novamente para conversar com meu amigos teachers sobre fenômenos linguísticos que influenciam diretamente na aquisição de linguagem (me senti o padre Quevedo agora falando sobre fenômenos). Nossas escolas, públicas e particulares, têm ensinado inglês como língua estrangeira, escolas de idiomas também têm se degladiado para mostrar quem ensina melhor inglês como segunda língua, mas será mesmo que nossos alunos estão de fato aprendendo inglês ou o que estão produzindo são uma língua diferente disfarçada de inglês?

Talvez esse disfarce seja fruto de algo que já conversamos aqui antes: a influência do idioma nativo no processo aquisitivo da língua estangeira. Não precisam ficar nervosos, eu não vou falar sobre transfers novamente, mas a interferência que, no nosso caso, o português, exerce sobre  a língua estrangeira pode gerar um caso de criação de creole. E o que viria a ser creole, você pode me perguntar. São línguas híbridas criadas a partir de pidgins. E o que seriam os pidgins? São esquemas frásicos, teoricamente sem função sintática, gerados pelo baixíssimo conhecimento de uma língua estrangeira. Mesmo longe e sem ver, consigo perceber o enorme ponto de interrogação estampado na sua testa. Vamos por partes então. Começaremos por entender o que são os pidgins, pois são basicamente a origem de toda nossa conversa. Imagine que você acabou de cair no meio de uma tribo maori, na costa neozelandesa. Deu pra visualizar a situação? Após um tempo, você aprende a dizer coisas simples como “obrigado”, “eu comer”, “por favor”, etc, simplesmente para conseguir manter o mínimo de comunicação possível. Obviamente que nosso pensamento lógico vai nos fazer utilizar a língua que sabemos para tentar inferir (às vezes acertar) como essa funciona essa nova língua maori e, munidos de tentativa e erro mesmo, inserimos partículas linguísticas de nossa língua nativa nesses esquemas frásicos simplificados para tentarmos sobreviver à essa nova aventura nas praias da Nova Zelândia.

Claro que conforme você for interagindo com os maoris, seu alcance linguístico aumenta, aprendendo sons significativos, palavras, aumento dos esquemas frásicos para sentenças completas, significados, em combinação com nossa (para alegria dos gerativistas) inata capacidade de raciocínio. Assim, os pidgins evoluem e se tornam creoles, isto é, uma língua estrangeira recém aprendida que contém buracos sintáticos, influência da língua nativa, mas que se assemelha um pouco mais com uma sentença mais evoluída, como podemos ver em (1) (Schumann, 2009: loc. 473).

(1) And too much children, small children, house money pay.

(2) If like make, more better make time, money no can hapai.

O que Schumann (2009) nos mostra é a maneira que um coreano encontrou para se comunicar em inglês, sendo que seu conhecimento linguístico da língua estrangeira é bem limitado, porém conseguiu(?) conectar sua fala e transmitir significado. Já em (2), nota-se utilização de duas palavras de uma terceira língua, make, que significa “morrer” e hapai, que significa “carregar” ambas em havaiano. É o exemplo da fala de um nativo japonês tentando se comunicar em inglês com um havaiano e é possível perceber que a língua inglesa, embora mais evoluída que a havaiana, ainda contém muitas brechas sintáticas e também nota-se a presença de palavras da terceira língua, o que mostra o início de uma aquisição.

Acho que consegui deixar claro o que são pidgins e creoles, mas o que tudo isso tem a ver com as aulas de inglês e com a maneira que nossos alunos têm se comunicado em inglês? Em alguns anos trabalhando como professor de inglês e outros recentes como linguísta percebi que nossos alunos estão se comunicando em um creole disfarçado de inglês. Podemos perceber em (3) a forma standardizada da língua inglesa, aquela maneira que tentamos ensinar aos nossos alunos, mas, na maioria das vezes, a fala de nossos prezados students tem influência bem direta e aparente da língua nativa – o português – como vemos em (4).

(3) Yesterday, a weird scene happened on the street.

(4) Yesterday, happened a weird scene on the street.

Claro que em (4) trata-se de algo distantemente parecido com creole haja vista a complexidade e conexão entre as palavras para formar a frase, mas a inversão entre sujeito e verbo, que não faz parte do inglês standard (a menos que você seja o Mestre Yoda), mostra a influência da nossa língua nativa. Também é muito comum encontrarmos a fala de nossos alunosmais parecida com creole do tipo “if have vague, I sleep in hotel” com sentido de “if there’s a vacancy, I’ll sleep in the hotel”. Isso occorre, segundo John Schumann e outros linguístas, porque a aquisição fica superficial, não existe aprofundamento de exposição afinal a pessoa consegue, de alguma maneira, transmitir a mensagem e acaba não indo além. Muitas aulas de inglês, quer seja de escolas regulares (públicas e particulares) ou escolas de idiomas, acabam contribuindo para que isso aconteça mesmo que seja sem querer. Nós teachers precisamos tomar cuidado pra que nossos alunos saiam da sua zona de conforto e sejam lingusiticamente desafiados a pensar e aprender para não ficarem atrelados à proposta de comunicação para realizarem uma tarefa ou fecharem um negócio simplesmente.

Às vezes, fatores externos nos deixam de mãos atadas na hora de fazermos nossos alunos darem um salto maior no processo de aquisição de linguagem. Porque faz mal pra nossa carreira de professor ter alunos falando como se fosse o Tarzan, “mim, comida, agora”, sem contar que isso nada mais é do que uma língua híbrida, sem profundidade, um disfarce para a aquisição que foi mais manquitola do que o Saci Pererê.

 

Habemus Linguistics I

Since always foreign students want to learn slang. I must say I don’t understand why they have this urge to learn slang that passes from generation to generation of students. Despite that, what matters is they want to learn, slang is part of the language and no, they definitely don’t disrupt the language whatever it is. I also decline the argument that internet has been hindering the language – after all, it is considered the guilty for the accelerated metamorphosis of the language creating, then, more and more slang. Ok, but what does this have to do with us teachers? Everything.

In our recent article Having Our English Outside The Box, we talked about the possibility to play with language and still be proficient. Well, you may not like this perspective, but I recommend you get used to accepting some students’ utterances that were once reckoned as “wrong”. We have already mentioned the ultimate use of ‘because’ playing the role of preposition, but what we have been witnessing every single day is a massive attack of linguistic creativity that we teachers need to be aware so we identify whether an utterance is slang or not and, in case it is one, we have to check if the context it was used is indeed appropriate. This is our role: show our students that language has an infinite number of possibilities, but there are situations in which some linguistic forms are more adequate. It is like I always say “if we are going to a barbecue, shorts and flip-flops are ok, but if we’re going to a business meeting, we gotta suit up”. This has to be our spirit whenever our students produce (1) or (2). We have to position the appropriate moment for their utterance.

(1)That film is amaze.

(2)Totes.

Notice that I did not use the “semantically strange” symbol for there many examples of utterances such as those, therefore I consider these slangs as part of a speech community. The case in (1) was not regarded as ungrammatical also for the same reason previously stated. Furthermore, although ‘amaze’ is a reduction of ‘amazing’, playing the syntactic role of adjective, we can take into consideration that this is a new word, thus eliminating any sort of confusion it may cause with the verb ‘amaze’ which would turn the sentence ungrammatical.

Alright. You might ask me then “what’s new about all of this?”. The greatest news here is the origin of this, the internet. This wonderful man made creation that connects everything to everything to everyone has rubbed on our faces how mutant languages are. Take Twitter, for instance. It is one big source of linguistic change. Tweeters know that the message space is highly limited which forces our students to express themselves in a more objective and reduced manner, generating a mutation in the language that would make Professor Charles Xavier jealous. That is why we have the commonly known OMG, LOL and they should never be considered a defeat in language teaching, instead they have to be taken as enriching factor of the language. Imagine how creative our students have to be to convey a message in a short space. With this scenario, we will obviously have abbreviations like IDK, reductions like ‘gonna’, ‘gotta, ‘wanna’, ‘shoulda’, ‘woulda’ and, why not, syntactic changes that end up being mistaken with slangs that are part of some speech communities. And yes, our students will do their best to speak “bad English” just because it is cool. Bucholtz already wrote about it brilliantly.

Thus, my fellow teachers, we have the duty (because we’re pros) to be in touch with the online universe for it materializes in the real world and makes our students coin words, abbreviate their speech, play with the language. Therefore I say it again, the internet has not been disrupting our students’ speech, it has only been going through some changes which is normal in the teenage years and with these changes we see a new type of language, pictorial for times, that facilitates communication.

Video Game + PBL + English Class = Fun

Summer is over. I hear the sad trumpets echoe in the cloudy sky of a rainy day that this news carries while reaching every single fellow teacher. But this shouldn’t mean fun is over at all! As a friend of mine wrote in his thesis “let the games begin”.

Gamefication is hype. Teachers have finally realized that making some activities into games can be a fun way and also effective for language learning, for kids are crazy about games. If this game is any sort of video game, they will certainly ignore everything around them and they will focus 120% on the game – I speak for myself because my girlfriend always complains whenever I get a hold of my PS3. Using video games can also be a great experience forthe English classes we design so that we work the Project-based Learning approach (PBL). In addition to having students work ipfor a ling period, they will certainly become more motivated and excited to perform the assigned task.

Video game won’t actually teach English itslef, the great insight here is to use electronic games in English classes to make the student use their linguistic knowledge and apply it when playing, as James Paul Gee stated (2005). In the online course for teacher we offer – still on progress – we talk thoroughly about how to design PBL activities, but it is worth to remember the importance video games have in the learning process of our students. “Nothing happens until a player acts and makes decisions” (Gee, 2005: 34). This is the background for activities that involve video games and more precisely the application of PBL with these games even in the classroom, which means making our students use their language knowledge to take decisions, create and perform tasks. Before applying a PBL we need to have a well-structured lesson plan where the environment for communication in English already exists and is familiar to students so that information exchange and knowledge sharing happen. Language is a type of knowledge that we acquire and interaction with other students that are working on a similar project enrich the process of language acquisition as they pair up or gather in groups to work inside the classroom according to what you established in your lesson plan.

Maybe you haven’t heard of this game before, but your students have…. for sure. Minecraft. This game has been catching everyone’s attention and it has also been hooking up the kids’ time becoming a worldwide big hit even for some adults. Minecraft is a game available for PS3, Xbox, mobile, PCs and it consists of using a strategy to reach a pre-established goal. You have to stock up blocks to create a world that you imagine and according to the game’s play mode (survival, creative, spectator, hardcore) you need to build things that are determined by the game so you don’t lose. In our English classes we can create a project which students play Minecraft in survival mode and as the game offers guidelines so they continue their project, some lexicon can be drilled, i.e. we teachers play the game beforehand to get to know it and note possible words to present to our students in the classroom before we start the project. When they face unknown words, they look them up and bring the definition to the classroom.

There is also room to work out our students’ speech so they present what they have built and the reason to do so. This means, through this presentation students will have the opportunity to use the words they looked up and to tell their accomplishments in the target language. Thus, we will have the needed motivation for our students to learn English as a second language and the video game become our ally, not to mention that the game itself is really cool. The educational bias that Minecraft has is such that an educational version of the game was released a couple of months ago with special features that can be used in the classroom and, why not, in our English classes. We can also find other ideas to be replicated or improved on their website. Maybe even lesson plans for other subjects that can be adapted to our English classes.

Vacation must be over, but the fun must go on. Surprise your students with this PBL activity that involves technology right now for the beginning of the semester. They’ll love it.

Habemus Linguistics II

A internet tem sido a ferramenta responsável por trazer à superfície tudo que acontece de novo no mundo contemporâneo. As notícias pipocam instantaneamente e só fica alheio quem realmente opta por ficar desse jeito ou quem não brinca na rede. Por isso temos a sensação de que a internet é a culpada por estragar a língua. Ela é o veículo que nos faz perceber como a língua é mutante e como essa mutação é rápida, as novidades sempre chegam rápidas também.

Vamos fazer o seguinte trabalho de imaginação (bem fértil, por sinal): imaginem que milhares de décadas atrás já existia internet. Nossos ancestrais conseguiam avisar todos os reinos e tribos quando iria ter um ataque de animais selvagens, quando chegasse a época de colheita ou quando alguém tivesse desenvolvido uma maneira de escrita que atendesse a todos. Com certeza iriam culpar a tal da internet também por estragar qualquer que fosse o tipo de comunicação usado na época. Ao que estudos indicam, as escritas mais antigas eram pictoriais, ou seja, eram desenhos que representavam coisas e ações. Eram como se fossem os emojis que todos usamos hoje em dia. Será que os homens das cavernas também reclamaram do surgimento dessa língua pictografada dizendo “esses desenhos nas pedras estão arruinando os grunhidos que usamos para nos comunicarmos, uga buga”? Acho que não. Os emojis também não podem ser considerados inimigos da língua, eles devem ser utilizados como forte aliados inclusive no ensino de inglês, pois serviriam de ponte de transferência de significado, conectando a representatividade que o emoji passa com a língua inglesa.

Já ouviram falar de semas? São traços exclusivos de um léxico que determinam o seu significado. Difícil? Um pouquinho né. Pensem na palavra smartphone. Se eu pedisse pra você descrever pra mim essa palavra, você usaria um conjunto de características que juntas dão significado à palavra. Pois isso é um sema. Todas as palavras, expressões idiomáticas e sentenças carregam significado e têm poder atuante quando falados e os emojis não são diferentes. Eles têm ainda uma vantagem: são altamente visuais, ou seja, não dependem de uma imagem virtual da capacidade cognitiva para compreenderem o significado. Vocês se lembram do primeiro artigo dessa série? Pois falamos como a internet tem ajudado a informar as mudanças linguísticas e também como ela têm influenciado nessas mudanças. As redes sociais e os serviços de mensagem instantânea requerem objetividade na comunicação pois oferecem espaço reduzido para se escrever. No raciocínio de nossos alunos, não vale a pena usar espaço de caracteres para se escrever I love you, da maneira canônica e a fonética tomou partido e então passamos a encontrar I luv ya, luv ya e também luv u. 

Agora temos os emojis para dizer aquilo tudo. Um coraçãozinho ou uma carinha apaixonada já tem valor semântico igual ao de uma frase e precisamos saber utilizar esse recurso para nos auxiliar no ensino de língua inglesa afinal de contas, muitas vezes, principalmente quando ensinamos novos vocábulos, os alunos sabem a definição, utilizam-se dos semas para transmitir a mensagem, mas não conhecem a palavra designada. Para apresentar novas palavras também podemos utilizar os emojis e a carga semântica que eles representam numa atividade que simula o envio de uma mensagem de Whatsapp, por exemplo. Além de facilitar a compreensão de significado, emojis estão integralmente inseridos no contexto dos nossos alunos. Segundo a professora Wyvyan Evans, Bangor University, 40% dos britânicos enviam mensagens inteiramente de emojis. Parece que aquela máxima “uma imagem vale mais do que mil palavras” está mais em alta do que nunca e de fato tem lógica. Na internet ou por mensagens de celular fica muito difícil de se transmitir emoções, entonação, etc, e isso também faz parte da línguagem. Mostrar aos alunos como fazer isso num mundo em que eles são parte integrante vai motivá-los e engajá-los e quando fizermos a transição para uma escrita menos informal, eles se sentirão mais confortáveis.

Portanto, está evidente que a tecnologia e a internet está enraizada na sociedade e em nossas gerações de alunos que estão e nas que estarão dentro de nossas salas de aula. Nós professores temos que ficar cada vez mais interados nos avanços tecnológicos e nos modismos que encontramos online porque esse modismo só vai ganhar corpo por causa dos feedbacks positivos da molecada e isso vai, como Bakhtin diz, moldar a produção linguística deles, pois a internet faz parte do ambiente dos nossos alunos. Por isso, vamos entender de uma vez por todas que a língua não é estática e que a internet está enriquecendo e nos trazendo essa riqueza de bandeja.